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Política

MPF pede perícias sobre suposto plano de Riva para matar irmão de Silval

MENSAGENS NO WHATSAPP | 12/03/2018 08h 45min

O procurador da República Marcelo Antônio Ceará Serra Azul requisitou perícias e depoimentos para apurar se o ex-deputado José Riva e o deputado Mauro Savi teriam envolvimento em um suposto plano para matar o fazendeiro Antonio Barbosa, irmão do ex-governador Silval Barbosa.

 

A solicitação foi feita ao ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela condução das investigações derivadas da Operação Malebolge, derivada das delações de Silval e Antônio, além de outros membros da família Barbosa.

 

O alegado plano teria sido descoberto por meio de mensagens supostamente trocadas entre José Riva e um capanga, conversa essa que teria sido enviada a Antonio Barbosa por meio do aplicativo WhatsApp.

 

Além da perícia nas imagens e nos celulares cujos números teriam participado da conversa, o procurador requereu que José Riva, Mauro Savi, Silval e Antonio prestem depoimento sobre o caso, assim como a deputada estadual Janaina Riva (filha de Riva); Cleber Machado (suposto ex-genro de Mauro Savi); Simone Turcatto (amiga da família de Savi); Fabiula de Souza Barros e os delatores Rodrigo Barbosa (filho de Silval) e Roseli Barbosa (esposa de Silval e ex-secretária de Estado).

 

De acordo com o procurador Marcelo Serra Azul, em maio do ano passado Antonio Barbosa prestou depoimento sobre o alegado plano, além de trazer “áudio e prints de conversas mantidas pelo aplicativo WhatsApp, narrando fatos e circunstâncias relacionados a possível coação no curso do processo”.

 “Nesses áudios e prints constam ameaças contra a vida do declarante e de pessoas de sua família, inclusive o seu irmão, Silval da Cunha Barbosa (ex-governador do Estado do Mato Grosso), sendo que todos negociaram acordo de colaboração premiada, tendo prestado depoimentos com potencial de contrariar os interesses do ex-deputado estadual José Geraldo Riva”.

 

“Diante dos fatos já acostados aos autos verifica-se a ocorrência, em tese, pelo menos dos crimes dos arts. 344 do Código Penal [coação no curso do processo] e 2°, § 1°, da Lei nº 12.850/2013 [organização criminosa], ambos punidos com pena de reclusão, pelo que deve-se instaurar inquérito policial para a apuração dos graves fatos acima narrados, o que ora se requer, baixando-se os autos à Polícia Federal, após o exame dos pedidos formulados nas cautelares que solicitamos, devendo ser determinado à autoridade policial responsável pela apuração criminal, imprimir urgência nas diligências investigativas que entender cabíveis”.

 

O plano

 

Antonio Barbosa contou que na noite de 24 de maio de 2017 recebeu uma mensagem de um contato então desconhecido, que encaminhou a ele prints de conversas travadas entre uma pessoa chamada “Markim” e um terceiro.

 

“O conteúdo se refere à seguinte ordem ‘Chefe a ordem é passar fogo nesse sujeito’, ‘olha a foto e veja quem é se é dos seus’ e, logo em seguida, uma foto minha. Eu reconheci a foto exibida na conversa travada como uma imagem que eu utilizei por um período no WhatsApp”, disse o irmão de Silval.

 

Conforme o relatório feito pela Polícia Federal, um dos números que consta nos prints da mensagem está cadastrado no nome da deputada Janaina Riva, mas é utilizado por José Riva, “o qual teria emanado a ordem para execução do plano de morte”.

Já o número que enviou os prints a Antonio Barbosa, de acordo com a PF, está cadastrado em nome de José Riva, “mas é utilizado por Cleverson Rodrigues Machado”, que seria parente do deputado Mauro Savi.

 

“A partir das 20:45 minutos o telefone cadastrado [...] passou a enviar mensagens a mim questionando se eu já tinha recebido essa mensagem de um amigo. Eu questionei quem estava falando, mas o interlocutor não respondeu. O interlocutor somente disse que recebeu essa mensagem, mandou na hora para uma pessoa que disse ser amiga minha. Eu questionei ‘quem tá mandando passar fogo’, o interlocutor respondeu ‘Riva’. Eu questionei o nome do amigo que teriam em comum, tendo o interlocutor respondido que seria um deputado. Eu questionei se seria de Sorriso, pois imaginei que fosse Mauro Savi, e o interlocutor confirmou ‘é’”, diz trecho do depoimento de Antonio Barbosa.

 

Na sequência, o contato atribuído a Cleverson Machado diz a Antonio Barbosa que Riva está “desesperado e capaz de fazer qualquer coisa”. O diálogo continuou no dia seguinte.

 

“No dia 26/05/2017, às 11h:35min o mesmo interlocutor não identificado encaminhou diversas imagens (prints) para mim sobre conversas travadas entre um contato denominado ‘José Riva’ e um interlocutor desconhecido. Nesses prints José Riva diz ao interlocutor desconhecido que ‘preciso conversar com todos vocês’, o interlocutor responde ‘conversar o que Riva’. O contato identificado como José Riva diz ‘Precisamos conversar sobre o ex-governador e seu irmão e o Mauro [Savi], preciso antes dele sair da cadeia’. O interlocutor desconhecido questiona se seria ‘sobre aquele assunto" e na sequência diz, ‘perfeitamente estamos aguardando ao seu sim’”.

 

Ainda nos prints enviados ao irmão de Silval, consta que o contato atribuído a José Riva diz que “Ricardinho” estaria pronto para atuar, sendo que o outro contato afirma que está aguardando, “usando a expressão ‘positivo estamos em QAP’, linguajar de rádiocomunicação, fazendo menção a armas, pois afirma que tem uma .40 e duas .380, que são calibres de pistola conhecidos”:

 

“O interlocutor denominado José Riva diz ‘já conversei com o promotor e está tudo acertado’, tendo o interlocutor desconhecido respondido ‘fechado’ e ‘em relação

ao irmão do ex-gover é pra sentar chumbo nele é isso’. O interlocutor desconhecido diz ao interlocutor denominado José Riva ‘Tenho aqui toda a relação de onde ele anda o que faz onde vai com a família vou seguir como combinado’. O interlocutor José Riva responde, ‘se ele desconfiar acerta ele, senão depois será mais difícil’ e em seguida ‘o Mauro bem’ e ‘também’, se referindo provavelmente a Mauro Savi”.

 

Meses depois, Antonio Barbosa voltou a depor e contou que o contato que lhe enviou os prints atualizou a foto do WhatsApp, sendo que ele reconheceu se tratar, de fato, de Cleber Machado, uma vez que já o conhecia pessoalmente.

 

Outro lado

 

A deputada estadual Janaina Riva, por meio de seu advogado Rodrigo Mudrovitsch, informou que não foi notificada a depor neste caso, mas que está à disposição caso seja convocada a prestar esclarecimentos, "apesar de acreditar que tem muito pouco a contribuir já que não possuí qualquer relação com a investigação". 

 

Ela disse que o chip em questão fazia parte de um plano familiar de telefonia celular que estava em nome dela, "porém cada pessoa da família utilizava o seu".

 

O deputado Mauro Savi, por meio de sua assessoria, afirmou que ainda não foi notificado a depor. Ele adiantou que seu celular está à disposição da Polícia Federal para perícia.

Fonte:   Midia News