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Análise: Missão recorrente

Mundo | 14/04/2018 19h 50min

Com 105 mísseis lançados cirurgicamente sobre três alvos sírios, o presidente americano, Donald Trump, deu por cumprida sua missão contra o governo Bashar al-Assad, menos de 12 horas de tê-la anunciado, em coordenação com França e Reino Unido. Desde 2003, quando o então presidente George W. Bush prematuramente decretou, a bordo de um porta-aviões, o êxito de sua ofensiva no Iraque, a expressão tem sido evitada. E, como ressaltou o jornal americano “The Washington Post” em editorial, esta missão de Trump está ainda muito longe de seu fim.

O rápido ataque dificilmente deve mudar o jogo de forças que mantém o ditador sírio aferrado ao poder, mesmo após sete anos de uma guerra que já fez quase meio milhão de mortos. Não era seu objetivo promover a mudança do regime. A cautela visava também preservar civis e evitar até baixas de soldados russos.

A chuva de mísseis foi uma clara mensagem a Assad e aliados russos e iranianos diante das imagens terríveis de crianças com convulsões e dificuldades respiratórias após o suposto ataque químico lançado por forças sírias no distrito rebelde de Douma.

Mas até que ponto este recado, o segundo enviado por Trump à Síria, surtirá efeito? Há um ano, 59 mísseis foram despejados numa base aérea em Homs, depois que a localidade de Khan Cheikhoun foi bombardeada com armas químicas, enquanto moradores dormiam, matando 80. Na ocasião, o presidente americano justificou a ordem, admitindo o fracasso “de anos de tentativas para tentar mudar o comportamento de Assad”.

De fato, o governo sírio concordara, em 2013, com o desmantelamento de seu arsenal, sob a supervisão da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opac). Contudo, o uso de gases venenosos contra a população civil em áreas controladas por rebeldes voltou a ocorrer em 2015 e nos anos seguintes. E a linha vermelha traçada há cinco anos por Barack Obama dissipou-se numa ameaça vazia.

Ao ordenar o ataque da noite passada, Trump abandonou o tom unilateral e agiu em conjunto com Theresa May e Emmanuel Macron. Na ONU, EUA e seus aliados travaram, durante o dia, uma guerra verbal com Rússia e Síria. Mas, até agora, críticas e condenações dos dois lados parecem encontrar na retórica o seu lugar mais confortável, sinalizando que futuros ataques com armas químicas e novas retaliações serão recorrentes.

 

Fonte:   G1 - Sandra Cohen

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