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Estado

Paulo Taques teria recebido R$ 2,6 milhões para manter esquema no Detran

Operação Bonus | 13/05/2018 11h 38min

O ex-chefe da Casa Civil, Paulo César Taques, teria recebido R$ 2,6 milhões do empresário José Ferreira Gonçalves Neto, sócio da EIG Mercados Ltda, para manter o contrato milionário da empresa com o Departamento de Trânsito (Detran). O acordo para pagamento da suposta propina foi, inclusive, firmado um dia após a vitória do governador Pedro Taques (PSDB), em 2014.

A informação faz parte da denúncia do Ministério Público do Estado (MPE), que culminou na Operação Bônus, 2ª fase da Operação Bereré, deflagrada na manhã desta quarta-feira (9) pelo Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco) criminal.

Além da prisão de Paulo Taques, foram cumpridos 5 mandados de prisão preventiva e 5 de busca e apreensão em Cuiabá, São Paulo e Brasília. As prisões foram determinadas pelo desembargador do Tribunal de Justiça (TJ), José Zuquim.

De acordo com a denúncia do MPE, José Ferreira Gonçalves Neto autorizou Valter José Kobori, que ocupava o cargo de CEO da EIG Mercados Ltda, a negociar o pagamento de propina com o “novo governo”, a fim de dar continuidade ao esquema iniciado ainda na gestão Silval Barbosa (sem partido).

Kobori, por sua vez, informou que já havia combinado com Paulo Taques, antes mesmo do resultado da eleição, de que ele daria um auxílio para a manutenção do contrato. Inclusive ficou acordado que o pagamento da propina para Taques seria feito através do escritório de advocacia da Paulo Taques e de seu irmão, Pedro Zamar Taques.

“Na data de 6 de outubro de 2014, dia seguinte às eleições gerais de 2014, foi assinado um subestabelecimento em que em que o escritório D’Almeida Cordeiro & Mesquita Advogados Associados, contratado pela EIG Mercados Ltda, repassava a Pedro Jorge Zamar Taques os poderes que lhe foram outorgados para a defesa dos interesses de tal empresa”, diz trecho da denúncia.

O empresário José Ferreira afirmou ainda que, apesar do contrato, decidiu não efetuar o pagamento de propina daquela forma, momento em que Kobori teria se colocado à disposição para ser o "atravessador" da propina: ele recebia o dinheiro a título de bônus pelos serviços prestados à EIG Mercados e repassava a Paulo Taques.

Em dezembro de 2014, foi efetuado o primeiro pagamento para Paulo Taques, no valor de R$ 1,4 milhão. Já em 2015, Kobori solicitou a José Ferreira, em nome de Paulo Taques, o valor de R$ 1,2 milhão, que foi pago em 10 parcelas pela própria EIG Mercados.

Ainda de acordo com o empresário, Kobori foi dispensado da EIG Mercados em 2016, ocasião em que cobrou o pagamento do bônus, uma vez que já tinha acordado um novo pagamento para Paulo Taques. Como José Ferreira se negou a pagar, o próprio Pedro Zamar Taques ligou para o empresário para que recontratasse Kobori devido aos “assuntos pendentes no Estado”.

“Ele pediu também para que José Henrique comparecesse em Cuiabá para conversar, deixando claro nessa conversa que Kobori estava alinhado com Pedro Zamar Taques e Paulo Taques nos pagamentos dos 'bônus".

O empresário José Henrique afirmou ainda que se encontrou com Pedro Zamar Taques em um restaurante em Cuiabá por intermédio de Kobori, em 2016, e que Pedro também o procurou para marcar um novo encontro em São Paulo para resolver “um problema muito sério”. Afirmou também que se encontrou com que Pedro Zamar Taques nas duas ocasiões, mas manteve a decisão de deixar Kobori fora da EIG Mercados.

Já em março de 2017, Pedro Zamar Taques voltou a procurar o empresário José Henrique, dizendo que Kobori tinha que vir a Cuiabá para falar com Paulo Taques. O empresário, por sua vez, disse que não respondeu a mensagem enviada via Whatsapp.

Em abril deste ano, Pedro Zamar Taques mandou recado para uma funcionária do empresário a respeito de alguns pagamentos. Nelas, ele afirma que se viu “obrigado” a recolher impostos de todos os valores recebidos pelo escritório.

“É de se destacar que "os últimos acontecimentos" a que ele se refere dizem respeito à presente investigação, ou seja, pelo fato de estar sendo investigado, ele precisa produzir documentos que façam parecer serem legais as suas atividades relacionadas a EIG Mercados”, diz trecho da denúncia.

“É de se destacar que 'os últimos acontecimentos' a que ele se refere dizem respeito à presente investigação, ou seja, pelo fato de estar sendo investigado, ele precisa produzir documentos que façam parecer serem legais as suas atividades relacionadas à EIG Mercados”, diz trecho da denúncia.

Ainda segundo a denúncia, ficou “evidente” que tanto Pedro Zamar Taques, quanto Kori, atuaram para “esconder” a participação de Paulo Taques. “Assim como as ligações são feitas pelo aplicado do Whatsapp, a fim de evitar interceptação telefônica, tudo com a finalidade de frustrar a produção de provas que demonstrem claramente suas atividades ilícitas”, diz trecho da denúncia.

Por este motivo, o MP requereu e teve deferido o pedido de prisão preventiva de Paulo César Zamar Taques, seu irmão, Pedro Zamar Taques, e os empresários Roque Anildo Reinheimer, Claudemir Pereira dos Santos, vulgo “Grilo”, além de José Kobori.

Outro lado - Por meio de nota, a EIG Mercados informou que irá se manifestar apenas nos autos no decorrer do processo, mas reitera que tem "colaborado nas investigações para elucidar os fatos".

 

Fonte:   Gazeta Digital - Karine Miranda