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Estado

Maggi destaca ciclo de lutas do Brasil contra febre aftosa e conquista de novos mercados

Pecuária | 21/05/2018 08h 21min

Após passar dez dias na Turquia e na China, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP) foi para a cidade de Paris, onde participou de uma Assembleia Geral da Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) neste domingo (20). Na França, o senador licenciado também terá uma agenda com o ministro de Agricultura do país.

Em seu discurso na Assembleia Geral da OIE, Maggi falou sobre a vitória do Brasil contra a Febre Aftosa, doença que intimida a todos os países e restringe a abertura e manutenção de mercados dos produtos pecuários.

“Considero este, um momento de grande relevância. Essa conquista, cujo certificado internacional é conferido ao Brasil na 86a Sessão Geral da OIE, coroa o “Brasil Livre de Aftosa”, encerrando um ciclo de lutas e abrindo as portas para novas conquistas e desafios que virão e certamente venceremos”, disse o ministro.  

Ainda em território Francês, Maggi terá uma reunião com o também ministro da Agricultura Stéphane Travert para tratar de mercado e falar sobre a posição dura da França contra o Brasil na União Européia.

A agenda do ministro na França termina na próxima quinta-feira (24). Veja a íntegra de seu discurso na OIE.

Veja íntegra do discurso durante o evento:

"Primeiramente, gostaria de manifestar minha honra e felicidade em participar da  Assembleia Geral da OIE, como Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil num momento histórico para nosso País: a esperada conquista do reconhecimento, pela OIE, da última região do Brasil como zona livre de febre aftosa com vacinação. Agora teremos, finalmente, todo o “Brasil Livre de Aftosa”.

O novo status sanitário concedido por esta renomada Organização, representa o reconhecimento da vitória de uma longa e dura trajetória de muitas dedicação de pecuaristas e do setor veterinário oficial brasileiro. Motivo de muito orgulho dos brasileiros que lutaram e lutam para o bem do Brasil. 

Parafraseando o pensador Jean Cocteau: “Não sabendo que era impossível, nós brasileiros fomos lá e fizemos”.

Quando, no início da luta contra a febre aftosa, num país com o tamanho e as diversidades do Brasil, antigo importador de carne e leite até a década de 90, em que milhares de focos da doença acometiam nossos rebanhos todos os anos, decidiu-se erradicar uma doença da importância e gravidade da febre aftosa, e se tornar o maior exportador de carnes do mundo, muitos não acreditavam e diziam que era impossível, que nunca conseguiríamos. Mas, conseguimos!

E conseguimos graças a muito esforço, trabalho, conhecimento, dedicação e luta de gerações de técnicos, produtores rurais e gestores, sempre pautados pelos princípios, diretrizes e recomendações da OIE, da qual nos orgulhamos de ser um dos membros fundadores.

Hoje, podemos anunciar que o “Brasil está́ livre de Febre Aftosa” e recebe seu último certificado de zona livre de febre aftosa com vacinação da Organização Mundial de Saúde Animal, a OIE. O povo brasileiro se sente orgulhoso com essa histórica conquista. Sabemos dos desafios que temos pela frente de ampliar as nossas zonas livres de febre aftosa sem vacinação e já estamos trabalhando para isto.

O setor agropecuário brasileiro é essencial para economia do País e tem garantido resultados expressivos na balança comercial, na geração de emprego e renda, e contribuído para o controle da inflação e melhoria das condições de vida de sua população.

Em 2017, somente a pecuária representou um Valor Bruto da Produção (VBP) de 175,7 bilhões de reais. No mesmo período, apenas o complexo carnes teve um crescimento nas exportações da ordem de 8,9%, atingindo um volume de 15,5 bilhões de dólares. E ainda temos potencial para crescermos muito mais no mercado internacional, pois exportamos somente uma pequena parte da nossa produção de bovinos e suínos.

Esse crescimento das exportações brasileiras se deve, além da inquestionável qualidade e competitividade dos nossos produtos, sobretudo à melhoria da condição sanitária do rebanho nacional.

Nesse cenário, destaca-se a vitória contra a Febre Aftosa, doença que intimida a todos os países e restringe a abertura e manutenção de mercados dos produtos pecuários. A evolução na condição sanitária do controle e erradicação da febre aftosa é grande responsável pela valorização dos nossos produtos pecuários nos mais diversos mercados. 

O Brasil iniciou o combate organizado à febre aftosa ainda na década de 60, por meio de campanhas de vacinação em algumas regiões. Naquela época, a doença se manifestava de forma endêmica com milhares de focos por ano. Era um verdadeiro caos sanitário. Mas, na década de 90, as estratégias de combate à doença foram alteradas, mudando-se do controle para erradicação da doença em todo o País, com a reformulação do Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa – PNEFA.

Foram muitos anos de aplicação de conhecimentos e descobertas, dedicação de técnicos qualificados, muita luta de produtores rurais e empreendedores, trabalhando-se de forma coordenada e compartilhada, o Governo Federal, governos estaduais e setor privado, todos imbuídos do objetivo de tornar o Brasil livre da Febre Aftosa.

Esse processo envolveu ainda aplicação de muitos recursos, investimentos na capacidade dos serviços veterinários oficiais, na vigilância e em campanhas de vacinação.

O reconhecimento agora, pela OIE, do pleito brasileiro de ampliação da zona livre de febre aftosa com vacinação, envolvendo os estados do Amazonas, Amapá, Roraima e parte do estado do Pará, completa um ciclo.

Considero este, um momento de grande relevância. Essa conquista, cujo certificado internacional é conferido ao Brasil na 86a Sessão Geral da OIE, coroa o “Brasil Livre de Aftosa”, encerrando um ciclo de lutas e abrindo as portas para novas conquistas e desafios que virão e certamente venceremos.

Sem dúvidas, é o cumprimento de uma etapa importante e um marco histórico do processo de erradicação da doença na América do Sul, e de valorização do patrimônio pecuário nacional e regional.

Temos muito a comemorar e homenagear todos que lutaram nessa batalha. Mas o desafio não termina aqui.

Ano passado o Mapa lançou o Plano Estratégico do PNEFA para os próximos 10 anos. O Plano tem como objetivo: criar e manter condições sustentáveis para garantir o status de país livre da febre aftosa e ampliar as zonas livres sem vacinação, protegendo o patrimônio pecuário nacional e gerando o máximo de benefícios aos atores envolvidos e à sociedade brasileira.

Nosso novo grande desafio será enfrentar a etapa final do processo de erradicação da doença em nosso país e na América do Sul, ampliar nossas zonas livres sem vacinação, e, em especial no Brasil, alcançar a condição de PAÍS LIVRE DE FEBRE AFTOSA SEM VACINAÇÃO. Assim, esperamos seguir contribuindo com a Erradicação da Febre Aftosa no mundo e oferecendo aos mercados produtos cada vez melhores e saudáveis e contribuir para a segurança alimentar mundial.

Para isso, temos plena consciência da necessidade de fortalecermos ainda mais nossas capacidades de prevenção, vigilância e de resposta a possíveis emergências que possam ocorrer. Serão necessários muito mais investimentos no serviço veterinário brasileiro. E contamos ainda mais com a imprescindível parceria dos produtores rurais, profissionais e outros atores do setor privado. Tenho certeza que conseguiremos. Seguiremos pelo caminho da ciência, da transparência e confiança nas valiosas orientações, diretrizes e normas da OIE.

Cabe destacar que já temos o estado de Santa Catarina, reconhecido como zona livre de febre aftosa sem vacinação desde 2007 e sem vacinar desde 2000, demonstrando que somos capazes de avançar nessa mesma direção para retirada da vacinação em todo país, com a devida segurança.

Assim, termino convidando a todos os brasileiros a prestarem suas homenagens aos milhares de mulheres e homens, muitos já nem entre nós, que, com muito trabalho, honestidade e conhecimento, tornaram realidade o que parecia impossível. O Brasil está livre da febre aftosa.

Fonte:   Olhar direto - Carlos Gustavo Dorileo