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Estado

Cuiabá apresenta potencial para crescer mais nos próximos anos

Futuro promissor | 08/04/2018 21h 14min

Ao completar quase 3 séculos de existência, Cuiabá aparenta traços de modernidade sem romper com a tradição. Edifícios, viadutos, tráfego intenso de veículos e comércio movimentado são algumas características comuns à capital mato-grossense, como a toda grande cidade. Em meio à pressa cotidiana, seus habitantes pausam a correria para orações e reuniões sociais. E neste 8 de abril, data de celebração dos 299 anos de fundação da cidade considerada a mais calorosa do Brasil, surge a inevitável questão sobre como será a Cuiabá que as próximas gerações habitarão.

Na opinião de representantes dos segmentos econômicos, a cidade que reivindica o título de Capital do Agronegócio tem potencial para se desenvolver muito mais nos próximos anos. Nesse sentido, o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) esboça o projeto de lei que criará o programa Pró-Cuiabá. A minuta da proposta de concessão de incentivos fiscais às empresas, especialmente indústrias, será encaminhada à Câmara Municipal. Os critérios para enquadramento ainda estão sendo definidos. “Será um programa para atrair investimentos industriais para promover o desenvolvimento econômico da Capital a curto, médio e longo prazos”. Na previsão do gestor municipal, o Pró- Cuiabá estará vigente a tempo da celebração do tricentenário da cidade.

Para este aniversário, um dos avanços destacados por ele que favorece a economia é a municipalização do Distrito Industrial. “Firmei um protocolo com o governo do Estado pedindo isso, por entender que o Estado deve ser incentivador do setor industrial, mas não o gestor do distrito”. Na última semana foi realizada audiência pública na qual o assunto foi debatido. Segundo o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Carlos Avalone, no debate público ficou definido que a Procuradoria Geral do Estado (PGE) irá elaborar um decreto ou lei complementar para regulamentar a municipalização do Distrito Industrial de Cuiabá.

A troca de competência na gestão da área industrial permitirá aumentar os investimentos na infraestrutura do local e incentivar a implantação de novas empresas, com ampliação na oferta de produtos, na geração de empregos e na arrecadação de impostos, observa o presidente do Porto Seco, Francisco Almeida. “O mercado consumidor de Mato Grosso é considerado pequeno, mas como o Estado é líder na produção agropecuária torna-se grande consumidor de certos produtos, como fertilizantes, defensivos e equipamentos agrícolas”.

Vice-presidente da Federação das Indústrias em Mato Grosso (Fiemt), Gustavo Oliveira, acrescenta que o desenvolvimento do setor depende, também, de soluções para a logística de transporte e redução do custo, com diminuição do imposto estadual incidente na tarifa de energia. “É fundamental ainda desenvolver estratégias de acesso a novos mercados, como a Índia e Rússia, e um programa claro de atração e retenção de investimentos”.

Além da indústria, a agropecuária, o comércio e a prestação de serviços são outros setores que contribuem para a geração de riquezas na Capital. De 2010 a 2015, o Produto Interno Bruto (PIB) de Cuiabá cresceu 69,20%, ao avançar de R$ 12,541 bilhões para R$ 21,220 bilhões, evidenciando a importância econômica da Capital para o Estado. A prestação de serviços e o comércio adicionaram R$ 11,799 bilhões ao PIB de 2015. Indústria e agropecuária contribuíram, respectivamente, com R$ 3,618 bilhões e R$ 39,828 milhões, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Ainda temos muita margem para crescer em Cuiabá e é justamente essa expectativa dos empresários para os próximos anos”, afirma o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso (Fecomércio/MT), Hermes Martins. Ele acrescenta que o comércio faz parte da história da Capital. Mas, grandes entraves ainda impedem o setor de deslanchar.

Excesso de burocracia na esfera administrativa e na concessão de crédito sufoca a iniciativa privada, assim como a alta carga tributária. “O poder público precisa perceber com urgência que elevar a arrecadação está diretamente ligado a alta do consumo, não ao aumento de impostos! Quando essa lógica se inverte, os preços dos produtos e serviços sobem. Isso inibe as vendas, que por sua vez inibem o crescimento das empresas e novas contratações”.

A população assalariada em Cuiabá soma aproximadamente 237 mil pessoas. A Capital é o maior empregador no Estado. No acumulado de 12 meses até fevereiro foram gerados 1,027 mil postos de trabalho na cidade, resultado da admissão de 74,278 mil e demissão de 73,251 mil pessoas.

Prestação de serviços, comércio variado e logística de transporte rodoviário e aéreo convergentes para Capital favorecem a movimentação de pessoas e a geração de empregos. Com isso, a renda per capita dos cuiabanos ultrapassa a média estadual. Dados mais recentes do IBGE apontam que o PIB per capita em Cuiabá atinge R$ 36,556 mil, acima (11,13%) do rendimento mediano estadual, de R$ 32,894 mil. Ainda assim a distribuição de renda é desigual, com bolsões de pobreza.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) pontua em 0,78, também superior à média estadual de 0,72. Formado por indicadores como expectativa de vida ao nascer, educação e padrão de vida, o IDH sinaliza maior desenvolvimento quanto mais próximo do 1.

Com 20,932 mil empresas ativas e uma frota de 391,521 mil veículos que aumenta a cada ano, foram arrecadados R$ 657,238 milhões em impostos na maior cidade de Mato Grosso, cifra bem superior (16,23%) à de 2016 pelo Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Mesmo com o aumento da carga tributária, a arrecadação de impostos municipais, estaduais e federais na Capital equivale a 2,35% da arrecadação estadual no ano passado, de R$ 27,887 bilhões, incluindo o pagamento de taxas e multas.

Com o comércio internacional, as empresas exportadoras instaladas em Cuiabá realizaram US$ 267,059 milhões em negócios no ano passado. Nas vendas externas sobressaem-se os produtos agropecuários, como derivados de soja, milho, algodão e madeira. Com as compras internacionais foram movimentados US$ 116,3 milhões, revertidos principalmente para a aquisição de gás, ligas de aço, máquinas e aparelhos para colheita, pneus, fios e cabos e adubos.

 

Fonte:   Gazeta Digital - Silvana Bazani