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Cidades

A morte de sindicalista é investigada pela superintendência da polícia civil de Itaituba (PA).

BRIGA POR TERRAS NO PARÁ | 21/10/2018 10h 48min

O assassinato do sindicalista Aluisio Sampaio (Alenquer) , em Castelo de Sonhos, no município de Altamira sudoeste do Pará, completa 10 dias deste domingo 21 de Outubro, sem que nenhum suspeito tenha sido apontado. Para pedir celeridade nas investigações, amigos da vitima e sindicalistas informaram ao Jornal Folha do Progresso , que estão programando uma manifestação para esta semana em Castelo de Sonhos. “O espírito de luta dele está entre nós”. “Medo, a gente sempre tem, mas a luta não pode parar.”

“Eles podem me matar a qualquer instante, mas vão se arrepender para sempre porque, me matando, vêm outros”, expressou Aluisio em vídeo antes de morrer.

Os  tiros que mataram Alenquer podem ter vindo da disputa por posse de terras, na região. O crime espalhou medo em outros colegas e revelou a existência de uma lista de outros alvos marcados para morrer – o sindicalista era o primeiro nome na lista. Ele usava colete à prova de balas por conta das ameaças recebidas depois de ser registrado em um programa de proteção do governo. Mas não tinha muito o que ele pudesse fazer para se salvar desse último ataque fatal: foi atingido com oito tiros na cabeça.

INVESTIGAÇÃO

A investigação do delegado Thiago Mendes Sousa prendeu provisoriamente um empresário em Novo Progresso que já foi solto por falta de provas. A policia Militar no dia do crime prendeu um suspeito [motorista], ele foi contratado para dirigir o veiculo ate o local do crime e dar fuga aos matadores de Alenquer, ele foi identificado sendo João Paulo Ferrari. Em depoimento, João Paulo Ferrari confessou que foi contratado para dirigir o carro em que estavam os dois executores do crime. Ele relatou que um dos acusados tem o prenome “Fernando” e que o outro era um desconhecido.

Questionado sobre quem seria o mandante do crime, João Paulo contou que os atiradores comentaram dentro do veículo que o “acerto de contas” era referente a uma dívida que a vítima tinha com terceiros, conhecidos como “Polaco” e Pablo. O acusado disse ainda que os envolvidos receberiam R$ 25 mil como pagamento pelo crime. Ele próprio já tinha recebido R$ 1,5 mil e que receberia mais R$ 1,5 mil quando chegasse ao município de Novo Progresso.

O homem identificado como Márcio José Nunes de Siqueira, de apelido “Polaco”, morreu em troca de tiros com a polícia na manhã de sábado (13) após as polícias civil e militar realizarem uma operação conjunta, deslocando-se até uma fazenda, onde foram recebidos a balas, para prender Marcio Siqueira e seu irmão Vando Siqueira. O primeiro foi baleado e morreu no local, o segundo conseguiu fugir mata adentro e encontra-se foragido da justiça.

Conforme o superintendente Thiago Mendes Sousa, divulgou para imprensa (Repórter Brasil),  a polícia emitiu mais dois mandados de prisão para membros de uma gangue criminosa que “invadiu terras e matou pessoas de bem”, mas os nomes são mantidos em sigilo para não atrapalhar seu cumprimento. O objetivo do ataque-surpresa, comentou, era “pôr um fim a esses crimes e impedir a grilagem de terras que está ocorrendo ao longo da BR-163”. A investigação do assassinato está em andamento.

 

PRISÃO

Foi preso duas pessoas ; Julio Cesar Dal Magro, conhecido como Julio da Guará, proprietário da empresa Guará Agroservicos, ele foi acusado de estar por trás do assassinato e João Paulo Ferrari, motorista dos supostos assassinos. Julio Cesar foi solto nesta sexta-feira (19), por falta de provas.

 

 

FATOS:

Polícia prende suspeitos do assassinato de sindicalista em Castelo dos Sonhos

Aluisio Sampaio, um sindicalista conhecido como Alenquer, líder da ocupação camponesa dos sem-terra “KM Mil”, foi assassinado em 11 de outubro. O trabalho de Alenquer era ajudar as famílias sem-terra a ocupar e permanecer em terrenos às margens da rodovia BR-163 – uma área prioritariamente destinada pelo governo federal para realizar a reforma agrária, mas também reivindicada por posseiros que mantinham as posses antes da criação do assentamento na região.

Alenquer liderava uma ocupação próximo ao distrito de Vila Isol,  comunidade – chamada “KM Mil”, devido à sua localização próxima ao quilômetro mil da rodovia – sabiam do risco de violência a que estavam sujeitas, mas tinham esperança de que conseguiriam se estabelecer nessas terras, que viam como o único caminho para sair da pobreza extrema.

A essa altura, Alenquer recebia regularmente ameaças de morte e sentia que poderia ser morto a qualquer momento. Aluisio disse que Agamenon Menezes, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Novo Progresso, Seu Dico do Sutntraf e Neri Prazeres, ex-prefeito de Novo Progresso, queriam matá-lo.

Em vídeo publicado no Youtube e divulgado nas redes sociais, Alenquer acusou o ex-prefeito Neri Prazeres como cabeça, chamou de bandido “Eles são Bandidos”, Agamenom Menezes e Seu Dico também foram acusados de querer sua morte. Segundo a polícia, nenhum dos três está sendo investigado pelo assassinato.

Alenquer também disse que não tinha medo e que continuaria com seu trabalho. “Eles podem me matar a qualquer instante, mas vão se arrepender para sempre porque, me matando, vêm outros”, expressou.

ACUSADOS

Procurados pela reportagem do Jornal Folha do Progresso, o Sindicalista Seu Dico disse que no momento que Alenquer divulgou o vídeo em 2016, ele tomou providência junto a policia. Agamenom Menezes disse que “é de praxe todas as pessoas que cometem delitos, acharem que as pessoas querem assassina-lo, fazendo acusações com intuito de precaverem. As pessoas que acusou, estar envolvidas não tem essa índole de resolverem as coisas com assassinato, como quem não deve não teme, estamos tranquilos esperando que as autoridades apurem os fatos e acabem em punir os culpados. Já Neri Prazeres, não foi localizado pela reportagem.

Fonte:   Jornal Folha de Progresso